Poder interior

Poder interior
O segredo da alma.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

A Carta de Olívia

OLHAI OS LÍRIOS DO CAMPO
Érico Veríssimo

Trecho da carta de Olívia ao seu amado Eugênio
Segunda parte_página 174


Hoje tens tudo quanto sonhavas: posição social, dinheiro, conforto, mas no fundo te sentes ainda bem como aquele Eugênio indeciso e infeliz, meio desarvorado e amargo que subia as escadas do edifício da faculdade, envergonhado de sua roupa surrada. Continuou em ti a sensação de inferioridade (perdoe que eu te fale assim), o vazio interior, a falta de objetivos maiores. Começas agora a pensar no passado com uma po9ntinha de saudade, com um pouquinho de remorso. Tens tido crises de consciência, não é mesmo? Pois ainda passarás horas mais amargas e eu chego até a amar o teu sofrimento, porque dele, estou certa, há de nascer o novo Eugênio.
Uma noite me disseste que Deus não existia porque em mais de vinte anos de vida não o pudeste encontrar. Pois que até nisso se manifesta a magia de Deus. Um ser que existe mas é invisível para uns, mal e mal perceptível para outros e duma nitidez maravilhosa para os que nasceram simples ou para os que adquiriram simplicidade por meio do sofrimento ou duma funda compreensão da vida. Dia virá em que em alguma volta do teu caminho hás de encontrar Deus. Um amigo meu, que se dizia ateu, nas noites de tormenta desafiava Deus, gritava para as nuvens, provocando o raio. Deus é tão poderoso que está presente até nos pensamentos dos que dizem não acreditar na sua existência. Nunca encontrei um ateu sereno. Eles se preocupam tanto com Deus como o melhor dos deístas.
O argumento mais fraco que tenho contra o ateísmo é que ele é absolutamente inútil e estéril; não constrói nada, não explica nada, não leva a coisa nenhuma. Estive pensando muito na fúria cega com que os homens se atiram à caça do dinheiro. É essa a causa principal dos dramas, das injustiças, da incompreensão da nossa época. Eles esquecem o que têm de mais humano e sacrificam o que a vida lhes oferece de melhor: as relações de criatura para criatura. De que serve construir arranha-céus se não há mais almas humanas para morar neles?
Quero que abras os olhos, ....., que acordes enquanto é tempo. Leias o Sermão da Montanha. Os homens deviam ler e meditar esse trecho, principalmente no ponto em que Jesus nos fala dos lírios do campo que não trabalham nem fiam, e no entanto nem Salomão em toda a sua glória jamais se vestiu como um deles.
Está claro que não devemos tomar as parábolas de Cristo ao pé da letra e ficar deitado à espera de que tudo nos caia do céu. É indispensável trabalhar, pois um mundo de criaturas passivas seria também triste e sem beleza. Precisamos, entretanto, dar um sentido humano às nossas construções. E, guando o amor ao dinheiro, ao sucesso nos estiver deixando cegos, saibamos fazer pausas para olhar os lírios do campo e as aves do céu.
Não penses que estou fazendo o elogio do puro espírito contemplativo e da renúncia, ou que ache que o povo deva viver narcotizado pela esperança da felicidade na “outra vida”. Há na terra um grande trabalho a realizar. É tarefa para seres fortes, para corações corajosos. Não podemos cruzar os braços enquanto os aproveitadores sem escrúpulos engendram os monopólios ambiciosos, as guerras e as intrigas cruéis. Temos de fazer-lhes frente. É indispensável que conquistemos este mundo, não com as armas do ódio e da violência e sim com as armas do amor e da persuasão. Considera a vida de Jesus. Ele foi antes de tudo um homem de ação e não um puro contemplativo.
Guando falo em conquista, quero dizer a conquista duma situação decente para todas as criaturas humanas, a conquista da paz digna, através do espírito de cooperação.
E guando falo em aceitar a vida não me refiro à aceitação resignada e passiva de todas as desigualdades, malvadezas, absurdos e misérias do mundo. Refiro-me, sim, à aceitação da luta necessária, do sofrimento que essa luta nos trará, das horas amargas a que ela forçosamente nos há de levar.
Precisamos, portanto, de criaturas de boa vontade. E de homens fortes que orientem sua ambição, seu ímpeto construtor e sua coragem num sentido social e não apenas egoisticamente pessoal.


O livro conta a história de Eugênio, um menino pobre. Ele vira homem, se forma em medicina e ao invés de se casar com Olívia seu grande amor, ele se casa com Eunice, moça rica. Conquista a riqueza, nome, privilégios, mas a felicidade ele não sente. Ele redescobre a vida guando Olívia morre e lhe Deixa Ana Maria que é a filha que ele não sabia da existência. O livro termina com pai e filha juntos.



LER FAZ BEM A SAÚDE MENTAL.


PRATIQUE A LEITURA!


Karine s m Rodrigues

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Pré-Conceito...livre-se disso

Época triste essa em que vivemos:

"É mais fácil quebrar a estrutura de um átomo do que a estrutura de um preconceito".

Preconceito é uma opinião sem conhecimento.

Pré conceito é o que achamos de algo que não conhecemos a fundo, ou seja, o que supomos com a nossa ignorância.
Procure conhecer antes de julgar a alguém.